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Fernanda Oliveira Carrijo1, Cinthia Stroher1, Camila Botelho Miguel²

1 Graduando(a) em Medicina pelo Centro Universitário de Mineiros, Unifimes, Goiás, Brasil

2 Docente para o Curso de Medicina, Centro Universitário de Mineiros, Unifimes, Goiás, Brasil

Edição Vol. 9, N. 4, 18 de Abril de 2022

Fonte:http://www.sciencephoto.com/images/showEnlarged.html/B236136-Streptococcus_agalactiae_bacteria,_colourSPL.jpg?id=662360136

O Streptococcus agalactiae ou Streptococcus do grupo B (GBS) é uma bactéria do tipo Gram positiva que habita o trato urinário e intestinal em indivíduos com boa saúde, mas que é capaz de gerar graves infecções em grupos de pessoas que apresentem algum problema de saúde. Essa bactéria atua como um patógeno oportunista, ou seja, em indivíduos com o sistema de defesa mais vulnerável, elas driblam as defesas do corpo, podendo causar inúmeras repercussões negativas (1).

Assim, o GBS pode causar infecções de pele e tecidos como celulite, abscessos, úlceras, fasciíte necrosante e piomiosite. Ademais, uma das principais manifestações em adultos é a presença de bacteremia sem foco e de pneumonias. A colonização dessa bactéria em válvulas do coração também pode gerar um quadro de endocardite, capaz de gerar embolização e levar até mesmo à morte (2).

Um estudo mostrou que o grupo de pacientes idosos (com mais de 60 anos) apresentou gravidade maior quando contaminado pelo GBS. Com a idade, o sistema de defesa do corpo perde parcialmente sua capacidade de se defender contra microrganismos invasores, processo chamado de imunossenescência. Além disso, esses idosos costumam apresentar outras doenças como diabetes, cânceres, doenças hepáticas e cardíacas e até a própria obesidade, o que pode contribuir para aumentar a taxa de infecções nesses indivíduos (1).

O risco de mortalidade devido ao GBS é particularmente alto nesses pacientes, onde alguns estudos mostraram que até metade das mortes que ocorrem por Streptococcus agalactiae ocorre em pacientes com mais de 65 anos (1).

Outro grupo que merece atenção especial são os recém-nascidos. Nestes, a infecção se apresenta de forma grave, podendo levar a episódios de sepse, meningites e pneumonia, sendo responsável por uma alta taxa de mortalidade nesta faixa etária (1,3).

A maior parte do contágio em neonatos ocorre devido à transmissão mãe para filho durante o trabalho de parto. Cerca de 29 a 85% das mães portadoras dessa bactéria transmitiram para seus filhos, mas apenas 1 a 2% desses bebês desenvolveram a doença (1,3).

Considerando os vários desfechos negativos para esses recém-nascidos e as diversas sequelas neurológias que a infecção pode gerar, se torna essencialmente importante a vigilância dessas mulheres gestantes e o tratamento com antibióticos o quanto antes (3).

O principal tratamento para o GBS é através da administração de ampicilina e aminoglicosídeos (independentemente da idade do paciente)3. Alguns pacientes que se apresentam alérgicos às penicilinas podem ser tratados com antibióticos alternativos como a Clindamicina, Eritromicina, Fluoroquinolonas e Vancomicina (2).

É extremamente importante, no entanto, que o tratamento, assim como toda a investigação do paciente seja realizado por um profissional médico e pela equipe de saúde. O paciente deve procurar o serviço de saúde e não praticar a automedicação, uma vez que isso pode atrasar o tratamento correto e piorar a condição de saúde.

REFERÊNCIAS

1. NAVARRO-TORNÉ, Adoración; CURCIO, Daniel; MOÏSI, Jennifer C.; JODAR, Luis. Burden of invasive group B Streptococcus disease in non-pregnant adults: a systematic review and meta-analysis. Plos One, [S.L.], v. 16, n. 9, p. 1-18, 30 set. 2021. Public Library of Science (PLoS). http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0258030.

2. RAABE, Vanessa N.; SHANE, Andi L.. Group B Streptococcus (Streptococcus agalactiae). Microbiology Spectrum, [S.L.], v. 7, n. 2, p. 1-21, 12 abr. 2019. American Society for Microbiology. http://dx.doi.org/10.1128/microbiolspec.gpp3-0007-2018.

3. BERARDI, Alberto; TREVISANI, Viola; CAPRIO, Antonella di; BUA, Jenny; CHINA, Mariachiara; PERRONE, Barbara; PAGANO, Rossella; LUCACCIONI, Laura; FANARO, Silvia; IUGHETTI, Lorenzo. Understanding Factors in Group B Streptococcus Late-Onset Disease. Infection And Drug Resistance, [S.L.], v. 14, p. 3207-3218, ago. 2021. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.2147/idr.s291511.

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