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ESPERTO E BRONZEADO – PODERIA A LUZ DO SOL TE DEIXAR MAIS INTELIGENTE?

Daniel Mendes Filho, Patrícia de Carvalho Ribeiro, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 5, N. 12, 24 de Dezembro de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.12.24.006

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Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Alexander_Shustov_2013_(Unsplash).jpg)

De um modo ou de outro, a luz do Sol é um elemento fundamental para quase todas as formas de vida. Em muitas espécies, a luz do Sol é o principal regulador dos ritmos biológicos e, portanto, modula os períodos de alimentação, reprodução, secreção hormonal, sono-vigília e etc. Essa regulação devido à luminosidade ocorre graças a conexões neuronais entre a retina (a “tela” no fundo de nossos olhos onde as imagens captadas por eles são projetadas) e a glândula pineal, localizada na parte posterior do nosso cérebro e responsável pela produção do hormônio melatonina. Esse hormônio, dentre vários efeitos, induz ao sono, tem ação fortalecedora do sistema imunológico, antioxidante e protetora do DNA – a qual ajuda a prevenir o câncer e limitar a taxa de envelhecimento (1). Por outro lado, a ausência/redução de exposição à luz solar em determinadas estações do ano pode levar algumas pessoas a desenvolver um tipo de depressão chamada desordem afetiva sazonal, cujo tratamento se baseia, em parte, na fototerapia (2). Outro exemplo da importância da luz solar é a produção na pele de vitamina D, nutriente essencial para a saúde dos ossos. Recentemente cientistas descobriram que a exposição à luz do Sol poderia ter outro efeito que talvez você nunca imaginasse: te deixar mais inteligente!

Hongying Zhu, Wei Xiong e outros cientistas chineses, após expor camundongos por duas horas à luz ultravioleta B (UVB), um dos componentes do espectro da luz solar, descobriram que se elevam imediatamente os níveis de uma molécula chamada ácido urocânico (UCA) tanto na pele quanto no sangue dos animais (3). O UCA é capaz de absorver parte da luz UV e, assim como a melanina, pode ter um papel protetor na nossa pele contra os efeitos nocivos da luz solar. Os pesquisadores descobriram, ademais, que o UCA atravessa a barreira hematoencefálica (barreira anatômica e fisiológica que separa o sistema nervoso central do sangue periférico, para saber mais leia: http://www.nanocell.org.br/atravessando-a-barreira-nanotecnologia-revolucionando-o-tratamento-do-cerebro/) – o que explica os níveis elevados dessa biomolécula também nos neurônios.

O ácido urocânico (UCA) é um biomolécula (ou seja, uma molécula sintetizada por seres vivos que tem função reguladora ou estrutural nesses organismos) encontrada em diversos tecidos e que participa na produção de glutamato, um dos principais neurotransmissores do cérebro – é por meio do glutamato que muitos dos neurônios “conversam” uns com os outros. Ao analisar os cérebros dos animais expostos à luz UV os pesquisadores observaram maior presença de UCA e glutamato principalmente no córtex motor (uma das regiões responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários) e no hipocampo, região responsável em parte pela memória (leia mais em: http://www.nanocell.org.br/hipocampo-hipocampo-tu-ja-nao-es-mais-a-central-das-associacoes-sensoriais/). Depois de fazer mais experimentos, a equipe de pesquisadores observou que esses animais expostos à luz UVB e ,portanto, com mais glutamato no córtex motor e hipocampo tiveram um desempenho melhor em testes de memória e aprendizado motor quando comparados aos animais não expostos. Portanto, a luz UVB, um dos componentes da luz solar, deixou eles mais inteligentes! Essa descoberta pode explicar alguns dos efeitos da deficiência de UCA observados em seres humanos: dificuldade de aprendizado, de fala e inteligência reduzida – possíveis consequências da baixa síntese de glutamato durante o desenvolvimento cerebral.

Considerando que o glutamato tem funções variadas (e essenciais) no nosso cérebro, incluindo biossíntese de aminoácidos, comunicação e plasticidade sináptica (fenômeno ocorrido durante o aprendizado e regeneração, leia mais em http://www.nanocell.org.br/plasticidade-sinaptica-em-um-cerebro-vivo-o-cerebro-se-remontando-apos-uma-lesao/), os autores levantaram a hipótese de que a produção aumentada de UCA ativada pela luz UVB e, consequentemente de glutamato no cérebro, também pode estar por trás de fenômenos neurológicos e comportamentais como a melhoria no humor após tomar Sol. Apesar de os efeitos benéficos sobre a memória e o aprendizado terem sido determinados em camundongos, já é conhecimento corrente que a exposição moderada ao Sol traz muitos benefícios físicos e mentais aos seres humanos. Certamente depois de saber disso tudo você já está juntando seus livros para estudar no Sol ao meio dia. Mas, antes disso, lembre-se de que a exposição à luz UV está associada com câncer de pele, sendo a luz solar benéfica quando nos expomos moderadamente e em determinados horários como entre 7h e 9h, por exemplo.

REFERÊNCIAS

(1) CIPOLLA-NETO, J.; CASTRO, S.A. Glândula Pineal. In: AIRES, M. M. Fisiologia. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. cap 67, p.1046-52.

(2) Seasonal affective disorder (SAD). Disponível em: <https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/seasonal-affective-disorder/symptoms-causes/syc-20364651>. Acesso em: 03/09/2018.

(3) ZHU, H.; WANG, N.; YAO, L. et al. Moderate UV Exposure Enhances Learning and Memory by Promoting a Novel Glutamate Biosynthetic Pathway in the Brain. Cell. 2018 Jun 14;173(7):1716-1727.e17. doi: 10.1016/j.cell.2018.04.014. Epub 2018 May 17.

(4) Could a Dose of Sunshine Make You Smarter? Disponível em: <https://www.the-scientist.com/daily-news/could-a-dose-of-sunshine-make-you-smarter-64395>. Acesso em: 03/09/2018.

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