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Giovana Figueiredo Maciel1, Marcello R. Brito Júnior1, Raysa T. V. Souza1, Pedro H. G. Santana1, Ricardo C. Parreira2

1 Acadêmico(a) do Curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Campus Trindade-GO, Brasil.

2 Professor do Curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Campus Trindade-GO, Brasil.

Edição Vol. 9, N. 4, 25 de Abril de 2022

Fonte: imagem retirada do site https://g1.globo.com/bemestar/especial-publicitario/dor-de-cabeca-e-igual-enxaqueca/noticia/2020/11/24/como-identificar-sua-dor-de-cabeca.ghtml. Acesso em 17 de abril de 2022.

Dores de cabeça ou cefaleias, como são chamadas na comunidade científica, podem ser manifestações de doenças clínicas subjacentes ou apenas uma alteração de substâncias químicas do cérebro. Assim, elas são classificadas em cefaleias secundárias e primárias, respectivamente. Representam um dos sintomas médicos mais frequentes, com alta prevalência, pois cerca de 99% das mulheres e 94% dos homens têm cefaleia ao longo da vida (1,2).

As cefaleias primárias são principalmente representadas pelas cefaleia tensional, enxaqueca e cefaleia em salvas, nessa ordem. Cada uma das três possui uma causa, por exemplo indivíduos que possuem enxaqueca têm maior sensibilidade aos estímulos externos e também há relação com a disfunção de neurônios que liberam serotonina, neurotransmissor responsável pela felicidade e bem-estar. A hipersensibilidade justifica a presença de gatilhos responsáveis pelo início da crise de enxaqueca, como quando esse tipo de cefaleia começa após sentir determinado cheiro (1).

Alguns casos de enxaqueca também podem estar acompanhados de aura, que são sintomas neurológicos que precedem o início da dor e duram de 5 a 60 minutos, um exemplo são os feixes luminosos vistos por esses pacientes. A intensidade da dor varia de moderada a forte, pode acometer um ou os dois lados da cabeça, tem característica pulsátil, dura de 4 a 72 horas e pode ter náuseas e vômitos associados. Desse modo, a enxaqueca pode ter um grande impacto na qualidade de vida desses pacientes (1,2).

A cefaleia tensional é a mais comum na população, tem grande correlação com o estresse, pode ser episódica ou crônica, quando é sentida em 15 dias ou mais em um mês. A dor é leve ou moderada, sentida em forma de aperto e em toda a cabeça, pode durar de 30 minutos a dias e geralmente melhora com atividades físicas. Já a cefaleia em salvas é pouco prevalente e, ao contrário das outras, é mais vista no sexo masculino. Gera crises de dor em um lado da cabeça que podem ser insuportáveis a ponto de fazer o paciente acordar à noite, elas duram de 15 a 180 minutos e podem aparecer várias vezes ao longo do dia, estando associadas com lacrimejamento, congestão nasal, vermelhidão dos olhos, entre outros (1,2).

Assim, as cefaleias primárias são condições comuns que não devem causar grandes preocupações, devendo ser tratadas por causarem danos psicossociais, afetando a qualidade de vida desses pacientes. Existem muitas opções terapêuticas para cada tipo de cefaleia, sendo que a melhora dos hábitos de vida, com prática de exercícios físicos e alimentação saudável, consegue melhorar ou até evitar as crises, podendo ser associada com medicações, a depender da conduta médica (1).

Por outro lado, as cefaleias secundárias representam um sintoma de outra doença que deve ser investigada e tratada. São patogenias que podem apresentar cefaleias: meningite, acidente vascular encefálico (AVE), glaucoma e tumores cerebrais. No entanto, como já foi visto, a presença de dor de cabeça pode significar apenas um distúrbio primário, então, para facilitar a identificação dos pacientes que precisam ser investigados para causas secundárias, criou-se os red-flags (sinais de alerta) que são representados pelo mnemônico SNOOP:

S (Systemic): Sinais sistêmicos como toxemia, presença de rigidez de nuca, rash cutâneo, portadores de neoplasia ou HIV, usuários de imunossupressores;

N (Neurologic): Presença de déficits neurológicos focais, edema de papila, convulsão;

O (Older): Cefaleia que iniciou após os 50 anos de idade;

O (Onset): Cefaleia de início súbito ou primeira cefaleia;

P (Pattern): Mudança de padrão da cefaleia prévia ou cefaleia progressiva (intensidade, frequência ou duração) ou cefaleia refratária.

Dessa forma, pessoas que apresentam cefaleia de início recente e súbito, principalmente após os 50 anos, que apresenta intensidade gradativa, com sintomas neurológicos associados (por exemplo a perda da sensibilidade ou força de uma parte do corpo), se encaixam no SNOOP e devem ser investigadas para a possibilidade de cefaleias secundárias (2).

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) pelo projeto aprovado no EDITAL 01/DEACEC/EXTENSÃO/2022.

REFERÊNCIAS

  1. HAUSER, Stephen; JOSEPHSON, Scott. Neurologia Clínica de Harrison. 3ed. Amgh Editora, 2015.
  2. SPECIALI, José Geraldo et al. Protocolo nacional para diagnóstico e manejo das cefaleias nas unidades de urgência do Brasil-2018. Academia Brasileira de Neurologia. 2018. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/images/file%205.pdf. Acesso em 17 de abril de 2022.

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