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CÉLULAS-TRONCO MESENQUIMAIS MELHORAM A GONADOTOXICIDADE CAUSADA PELA CISPLATINA

Kellen Cristiny Gonçalves de Oliveira, Dôuglas Caixeta Nunes

Departamento de Fisiologia, Instituto de Ciências Biológicas e Naturais, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba-MG.

Edição Vol. 5, N. 12, 24 de Dezembro de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.12.24.003

          Ao longo do desenvolvimento, os seres vivos estão sujeitos a modificações internas e externas. As células estão constantemente em processos de divisão e apoptose celular. Para que se tenha um equilíbrio nesse sistema é imprescindível que esses dois processos fisiológicos estejam em homeostase. Contudo, durante uma injúria ocorre um desbalanço em diversas cascatas de reações químicas que resultam em lesões celulares, podendo comprometer a função de algum determinado tecido.

Muitos estudos recentes têm investigado alternativas terapêuticas que minimizem as lesões teciduais desencadeadas por substâncias tóxicas presentes em fármacos utilizados na escolha de tratamento de tumores. A cisplatina, por exemplo, é uma droga quimioterapêutica que possui bastante eficácia quanto à regressão de neoplasias sólidas, porém, apresenta elevada toxicidade em diversos tecidos no corpo, destacam-se o hepático, renal e o gonadal (Elbaghdady HAM, et al. 2018; Sherif IO, et al. 2015).

De acordo com Sherif IO e colaboradores 2018, para tentar entender melhor esse mecanismo de toxicidade e compreender as respostas do organismo frente à um estresse oxidativo utilizaram-se um modelo experimental com ratos Sprague-Dawley, no qual utilizaram três grupos: um grupo foi adicionado apenas solução salina, outro grupo administraram a cisplatina e o terceiro após a administração da droga, injetaram células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea. Posteriormente, com a coleta do material e sua respectiva metodologia, os pesquisadores observaram que havia redução do peso do órgão afetado (gônadas) no grupo em que foi administrado a cisplatina, confirmando uma atrofia testicular,e consequentemente, redução da função tecidual decorrente do processo apoptótico.

Contudo, para confirmarem essa morte celular programada, os pesquisadores fizeram medições de substâncias que estão intrinsecamente relacionados ao processo inflamatório e apoptótico, tais como TNF-α, Caspase-3, p38 – MAPK. Os resultados observados foram que os animais tratados com células-tronco mesenquimais possuíam quantidades reduzidas dessas substâncias quando comparada ao grupo em que foi administrado apenas a cisplatina. Sugerindo que a toxicidade tecidual pela droga resulta num intenso processo inflamatório no local devido à presença de marcadores da inflamação e acentuado estresse oxidativo que resulta no aumento de estímulos nocivos, por meio da ativação de fatores que antecedem a apoptose celular, impulsionando assim, uma reprogramação celular e sua autodestruição devido às condições histopatológicas (Sherif IO et al. 2018; Sherif IO et al. 2015).

Nessa perspectiva, o estudo demonstrou um processo lesivo tecidual com diversos mecanismos e respostas celulares que estão intrinsecamente relacionados tendo em vista que, durante um estímulo nocivo, uma célula ao ser lesionada pode ser redirecionada à um processo irreversível desencadeando na morte celular, ocasionando perda da função tecidual em virtude da gonadotoxicidade desencadeado pela cisplatina. Ademais, os dados apresentados pelo estudo, demonstram que o uso de células-tronco mesenquimais, como uma terapia celular, promove uma melhoria tecidual em virtude de suas propriedades regenerativas, anti inflamatórias, anti apoptóticas e imunossupressoras. Assim, percebe-se que é imprescindível mais estudos referentes à essa medida terapêutica a fim de, futuramente, ser uma promissora alternativa no tratamento de inúmeras patologias (Sherif IO et al. 2018).

Figura 1: Um diagrama esquemático mostrando o efeito de MSCs derivadas de BM em danos gonadais induzidos por cisplatina. Proteína X associada a Bax Bcl-2, células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea BM-MSC, glutationa reduzida GSH, óxido nítrico sintase indutível iNOS, malondialdeído MDA, proteína quinase p38-MAPK p38-mitogénica, superóxido dismutase SOD, TNF-α fator de necrose tumoral alfa.

Fonte: Sherif IO, Sabry D, Abdel-Aziz A, Sarhan OM. The role of mesenchymal stem cells in chemotherapy-induced gonadotoxicity. Stem Cell Research & Therapy 9:196. 2018.

REFERÊNCIAS

Elbaghdady HAM, Alwaili MA, El-Demerdashh RS. Regenerative potential of bone marrow mesenchymal stem cells on cadmium chloride-induced hepato-renal injury and testicular dysfunction in sprague dawley rats. Ecotoxicology and Environmental Safety 164. 2018, 41-49p.

Sherif IO, Sabry D, Abdel-Aziz A, Sarhan OM. The role of mesenchymal stem cells in chemotherapy-induced gonadotoxicity. Stem Cell Research & Therapy 9:196. 2018.

Sherif IO, Al-Mutabagani LA, Alnakhlli AM, Sobh MA, Mohammed HE. Renoprotective effects of angiotensin receptor blocker and stem cells in acute kidney injury: Involvement of inflammatory and apoptotic markers. Exp Biol Med (Maywood) 240(12), 2015. 1572-1579p.

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